segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O RETORNO DA AUDIÇÃO


Quem assistiu ao meu relato em vídeo, percebeu que eu menciono um problema na audição de Gecélia, que surgiu durante o seu primeiro internamento hospitalar, e que depois desapareceu no segundo internamento. Na verdade, este problema auditivo é um capítulo a parte na nossa trajetória de luta contra os sintomas neurológicos que Gecélia desenvolveu. 

Esta trajetória teve início
 em Agosto de 2011, quando Gecélia apresentou tontura e visão turva. Devido à tontura, houve certa suspeita para um princípio de labirintite, muito comum entre as mulheres. Porém, devido ao fato dela ter feito quimioterapia, houve também uma suspeita inicial de que a causa seria uma neurotoxicidade provocada por um dos quimioterápicos, a Vincristina, que no caso da audição, estaria causando uma ototoxicidade, afetando o sistema auditivo.

Foi feita uma investigação detalhada na área de otorrinolaringologia, com exames de audiometria e potenciais evocados auditivos, e os resultados acusaram uma falha. Mas não no sistema auditivo, que estava normal, e sim na comunicação deste com o cérebro, sendo os únicos exames de Gecélia a apresentarem algo irregular. Mesmo assim, não sinalizavam para doença alguma, de modo que o problema foi diagnosticado como Neuropatia Auditiva.

Deixando os termos técnicos de lado, a verdade é que no período entre Outubro e Novembro de 2011, durante o primeiro internamento de Gecélia e sua alta para casa, o problema da audição piorou, causando não apenas a tontura, mas um nível de surdez e um zumbido constante. Membros da família se recordam até hoje que tínhamos que falar com Gecélia bem alto, muitas vezes repetindo a frase, pra que ela entendesse. Aquilo gerou muita preocupação: será que Gecélia estava perdendo a audição?

O tempo passou, e os sintomas de falta de coordenação motora estavam piorando bastante, e por isso, fomos à emergência do hospital para que Gecélia fosse internada pela segunda vez, no dia 01 de Dezembro de 2011, para outra fase do tratamento. Foi nesse dia que o neurologista diagnosticou a Degeneração Cerebelar, causando-me um peso enorme no coração, uma vez que eu já havia pesquisado a respeito. Mas também foi nesse dia que veio o milagre de Deus: em plena emergência do hospital, percebi que falávamos e Gecélia entendia perfeitamente, mesmo em voz baixa e sem repetições.
Cheguei a fazer testes com o celular, colocando músicas para ela, bem baixinho, e ela não só escutava como entendia tudo! Meu Deus! Quantas vezes eu havia imaginado, em momentos de fraqueza, que Gecélia poderia não mais ouvir novas canções de louvor a Deus, e lá estava ela, com a audição perfeita!

Prontamente, chamei o neurologista para que a examinasse, e ele constatou o retorno de sua audição. Contudo, não detalhou para nós o porquê do retorno. Afinal, Gecélia já estava com o diagnóstico da primeira síndrome, mas os sintomas só pioravam, diferente da audição, que voltou ao normal.

Hoje, a audição de Gecélia é o único meio de comunicação. Ela nos ouve e responde com gestos de sim, não e talvez, e também com a fala, mesmo que precariamente. Além disso, colocamos cânticos, programas de TV, lemos a palavra de Deus, oramos, conversamos com ela, contamos piadas, tudo para que ela possa ter alguma interação com o meio ao redor. Nem imagino quão difícil seria se ela não escutasse... Prefiro não imaginar isso, pois Deus a abençoou com este milagre, curando-a na hora exata, no período em que ela mais precisaria da audição.

Paz.
Samuel Luna, esposo de Gecélia Luna.

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