Próximo mês (Agosto), o início da nossa luta contra as síndromes que acometeram Gecélia completa 1 ano. Foi em Agosto de 2011 que ela começou com tonturas, fraqueza generalizada e, principalmente, visão turva.
Gostaria de compartilhar com vocês especificamente sobre o problema da visão. Na época, nós a levamos para vários oftalmologistas e para uma neuro-oftalmologista. Todos constataram que os o
lhos de minha esposa estavam normais, sem nenhum indício de lesão de qualquer tipo. Então, a suspeita pairou sobre a Síndrome de Eaton-Lambert, já que há relatos de outros pacientes, em artigos científicos de fora do Brasil, que apresentaram o mesmo sintoma, cuja causa seria a midríase característica (pupilas dilatadas permanentemente). Daí a capacidade de enxergar apenas lateralmente, mas não de frente.
Com isso, Gecélia passou a não conseguir enxergar nossos rostos, e isso vai completar um ano de duração.
Gente, às vezes eu fecho os olhos e imagino o que minha esposa está passando... imaginem vocês há um ano sem verem os rostinhos de seus filhos, seus familiares, a si próprio no espelho, sem conseguirem assistir um filme (instalamos uma TV no quarto, para ela assistir, durante a quimioterapia), sem poder mais usar um celular, sem conseguir usar computador, como vocês estão usando ao lerem esta página, sem chances de usar o notebook que havíamos acabado de dar a ela de presente, sem poder criar um perfil aqui no face (ela parou de enxergar antes disso), sem poder ver nosso apartamento, cuja decoração elaboramos juntos, sem poder ver as flores, a natureza, a vista de nossa varanda, sem poder ler os vários livros de Psicologia que comprei pra ela, e principalmente, sem poder LER A PALAVRA DE DEUS.
Conseguem se imaginar assim? E quanto a mim? Conseguem se imaginar tendo um parente tão próximo, como seu esposo, ou sua esposa, assim? Uma pessoa que ajudou a construir toda uma vida adulta?
Cada vez que alguém chega próximo a Gecélia e precisa se identificar com a frase "Celinha, aqui é fulano...", sinto um peso e uma tristeza imensos. Sinto isso do mesmo modo quando os nossos filhos se aproximam e eu tenho que dizer a ela quem é.
Por isso, pessoal, que muitas pessoas, como amigos, gente da nossa família, médicos, terapeutas e irmãos da Igreja, falam-me sobre retomar a vida, voltar a trabalhar, "tocar o barco pra frente". Mas muitas vezes, não consigo, porque pra fazer isso, preciso de minha visão intacta, e a primeira coisa que lembro, percebo e sinto ao abrir os olhos de manhã, e ver o que existe ao meu redor (como todos nós fazemos), é que minha esposa, o grande amor de minha vida, está sem enxergar.
Isso também se aplica a todos os outros sintomas, quando falo, quando ando, quando como e bebo. Em tudo, sinto-me como se eu fosse Gecélia. Eu a amo muito para conseguir esquecê-la, mesmo que por alguns momentos, e para não ter esse sentimento de identificação com ela. O tempo todo. Todos os dias.
Forte abraço a todos, e obrigado pela força que me têm dado. Obrigado mesmo, do fundo do meu coração. Mas o fardo pertence primeiramente a Jesus, e depois a mim, e só eu sei o que estou passando.
Paz.
Samuel LUna, esposo de Gecélia LUna.
Com isso, Gecélia passou a não conseguir enxergar nossos rostos, e isso vai completar um ano de duração.
Gente, às vezes eu fecho os olhos e imagino o que minha esposa está passando... imaginem vocês há um ano sem verem os rostinhos de seus filhos, seus familiares, a si próprio no espelho, sem conseguirem assistir um filme (instalamos uma TV no quarto, para ela assistir, durante a quimioterapia), sem poder mais usar um celular, sem conseguir usar computador, como vocês estão usando ao lerem esta página, sem chances de usar o notebook que havíamos acabado de dar a ela de presente, sem poder criar um perfil aqui no face (ela parou de enxergar antes disso), sem poder ver nosso apartamento, cuja decoração elaboramos juntos, sem poder ver as flores, a natureza, a vista de nossa varanda, sem poder ler os vários livros de Psicologia que comprei pra ela, e principalmente, sem poder LER A PALAVRA DE DEUS.
Conseguem se imaginar assim? E quanto a mim? Conseguem se imaginar tendo um parente tão próximo, como seu esposo, ou sua esposa, assim? Uma pessoa que ajudou a construir toda uma vida adulta?
Cada vez que alguém chega próximo a Gecélia e precisa se identificar com a frase "Celinha, aqui é fulano...", sinto um peso e uma tristeza imensos. Sinto isso do mesmo modo quando os nossos filhos se aproximam e eu tenho que dizer a ela quem é.
Por isso, pessoal, que muitas pessoas, como amigos, gente da nossa família, médicos, terapeutas e irmãos da Igreja, falam-me sobre retomar a vida, voltar a trabalhar, "tocar o barco pra frente". Mas muitas vezes, não consigo, porque pra fazer isso, preciso de minha visão intacta, e a primeira coisa que lembro, percebo e sinto ao abrir os olhos de manhã, e ver o que existe ao meu redor (como todos nós fazemos), é que minha esposa, o grande amor de minha vida, está sem enxergar.
Isso também se aplica a todos os outros sintomas, quando falo, quando ando, quando como e bebo. Em tudo, sinto-me como se eu fosse Gecélia. Eu a amo muito para conseguir esquecê-la, mesmo que por alguns momentos, e para não ter esse sentimento de identificação com ela. O tempo todo. Todos os dias.
Forte abraço a todos, e obrigado pela força que me têm dado. Obrigado mesmo, do fundo do meu coração. Mas o fardo pertence primeiramente a Jesus, e depois a mim, e só eu sei o que estou passando.
Paz.
Samuel LUna, esposo de Gecélia LUna.

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